A consultoria de tecnologia Accenture promoveu uma drástica redução em sua força de trabalho global, desligando mais de 11 mil funcionários nos últimos três meses. Paralelamente aos cortes, a empresa emitiu um aviso direto àqueles que permaneceram: a requalificação em Inteligência Artificial (IA) é a nova exigência para garantir a permanência.
Segundo a reportagem do Financial Times, a gigante da consultoria apresentou um programa de reestruturação avaliado em US$ 865 milhões. A notícia dos cortes e as projeções cautelosas da empresa para o próximo ano — reflexo da demanda corporativa ainda fraca — fizeram com que as ações caíssem 2,7%, atingindo o menor patamar desde 2020. A força de trabalho da Accenture caiu de 791 mil para 779 mil pessoas no final de agosto, com os desligamentos previstos para continuar até novembro.
O Pivot Estratégico: IA como Fator de Sobrevivência
Enquanto o número de funcionários gerais diminui, a Accenture aposta todas as suas fichas na transformação digital. A urgência da requalificação é sustentada por números agressivos:
- Os projetos ligados à IA generativa movimentaram US$ 5,1 bilhões em novos contratos no último ano, um aumento significativo em relação aos US$ 3 bilhões registrados no período anterior.
- O número de profissionais especializados em IA e dados na companhia já atingiu 77 mil, quase o dobro dos 40 mil registrados apenas dois anos atrás.
Apesar da dor dos cortes, a empresa afirmou que sua base de funcionários deve voltar a crescer no próximo ano. Contudo, esse crescimento será focado exclusivamente em profissionais requalificados e aptos a atuar na linha de frente da transformação digital. A mensagem é clara: o futuro na consultoria será construído por quem dominar a Inteligência Artificial.
